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Super Bock, Super Bom

A Ana Paula enviou-me o link do anúncio “Sabor Autêntico”, da Super Bock, filmado em Guimarães. Em boa hora: por um lado, tenta-me reanimar a ligação com os vimaranenses; por outro, inicio na próxima quinta, 8 de janeiro, uma série de 5 aulas dedicadas à publicidade na disciplina de Sociologia da Arte e do Imaginário. Aproveito ainda para prestar tributo à Super Bock com um belo ramalhete de anúncios.

Super Bock – Sabor autêntico. 2001
Super Bock Green -Anjos. 2006 (?)
Super Bock – Momentos. Realizador: José Pedro. Ministério dos Filmes, 2008
Super Bock – Leva a amizade a sério. O Escritório, 2015 (?)
Super Bock – 90 anos a fazer amigos. Agência: O Escritório. Direcção: José Pedro Sousa. Portugal, Março de 2017
Super Bock – Pelas amizades que não querem ser outra coisa, 2024

Sinto, logo insisto. Duas epifanias

Da noite de Natal até ao fim do ano, estive com gripe A. Isolado, até a escrita ficou constipada. Uma privação séria porque alinhar letras é um dos meus prazeres prediletos. Faço-o mais pelo gozo que me proporciona do que pela antecipação da leitura alheia, que me escapa. Regresso, portanto, prazenteiro, às imagens, metáforas, ironias, trocadilhos, paradoxos, hipérboles, elipses, alusões e ilusões que encantam o meu deserto.

Na madrugada de 30 de dezembro, fui ao Hospital de Braga para “fazer análises”. Nada de novo! Inesperadamente, ocorreu uma espécie de epifania quando fui “picado”, com sublime doçura, por uma donzela que espeta agulhas como setas de cupido. Certamente, uma descendente de Florence Nithingale, a célebre “dama da lâmpada”.

Imagem: Caravaggio. Amor Vincit Omnia, ca. 1602

[Durante a Guerra da Crimeia] “Escolhi os plantões, porque sei que o escuro da noite amedronta os enfermos. Escolhi estar presente na dor porque já estive perto de muito sofrimento. Escolhi servir ao próximo porque sei que todos nós um dia precisamos de ajuda. Escolhi o branco porque quero transmitir paz…”
(Florence Nightingale).

Imagem: Painting of Nightingale by Augustus Egg, c. 1840s

Estranhamente mimado num hospital apinhado, desgastado e combalido, surpreendi-me a querer prolongar o “sacrifício”:

  • Talvez seja melhor esperar mais um pouco! Tomo aspirina por causa do coração…
  • Devia ter dito antes. Deve dizer sempre antes. Nessas circunstâncias, tomamos outros cuidados.

Mas o serviço não se compadecia com demoras fúteis. Despedi-me com um penso no braço do tamanho do carinho recebido.

Mal andam as coisas no reino de Alexandria quando as seringas e os biscoitos despoletam epifanias! Não escolhemos, porém, os gatilhos da ternura.

Regressei a casa mais animado. Mas aquela rara pitada de mimo sabia a pouco. Como se diz, o mal está em começar. Se desejava mais, só restava uma solução: mimar-me a mim mesmo.

Encomendei uma “tarte da avó”, framboesas, cerejas (do Chile), mexilhões e linguado. Nem mais, nem menos.

Peguei numa cereja lustrosa e carnuda. Dei uma dentada delicada, como num mamilo vegetal, com o suco púrpura a escorrer pelos lábios.

Uma segunda epifania.

E, como Marcel Proust, regredi à infância.

Morava numa “casa de brasileiro” apenas com o avô e uma tia, uma das minhas mães (ver O menino de suas mães). À noite, escutava o “nosso” programa na rádio: Quando o Telefone Toca. Os sucessos e os intérpretes repetiam-se, a pedido do público, de semana em semana, mês após mês: “Tombe la neige”, de Adamo, “Non son degno de te”, de Gianni Morandi, “Oração”, de António Calvário, “A Casa da Mariquinhas”, da Amália Rodrigues, “La vida sigue igual”, de Julio Iglesias, “Delilah”, de Tom Jones…

Um nada mais recente, Nicola Di Bari era um dos “cantores residentes”. Recordo “El corazón es un gitano” (original 1971); “Guitarra Suena Más Bajo” (original 1971); e “Como Violetas” (1972).

Enquanto houver memória, a infância acompanha-nos durante toda a vida.

Nicola Di Bari – El corazón es un gitano. Original italiano, 1971. Castilla y León Televisión. Vamos a Ver, 12/11/2019
Nicola Di Bari – Guitarra Suena Más Bajo. 1971
Nicola Di Bari – Como Violetas, 1972. “En vivo desde México en programa mexicano de tv”. Colocado em 17/05/2010

Fogo de Artifício

Nunca vi tanta gente a lançar tanto fogo de artifício! Até apetece começar o ano a cantar, a cantar “Mes Emmerdes” com o Charles Aznavour:

Les canulars
Les pétards
Les folies
Les orgies
Les jours du bac
Le cognac
Les refrains
Tout ce qui fait
Je le sais
Que je n’oublierai jamais
Mes amis, mes amours, mes emmerdes

(Charles Aznavour, Mes Emmerdes, 1976)

Charles Aznavour – Mes Emmerdes. Voilà que tu reviens, 1976. Numéro un | TF1 | 21/02/1976

Uma tábula rasa: a zona industrial de Alvaredo

Obras na zona industrial de Alvaredo em Melgaço. 2023. Fotografia de João Gigante
Obras na zona industrial de Alvaredo em Melgaço. 2023. Fotografia de João Gigante

Nos últimos anos, escrevi dois textos que acabaram por não ser publicados.

O primeiro, “Prado Subjetivo: metamorfoses de uma freguesia modernizada”, de 2019, ficou congelado no prelo. Coloquei-o no dia 7 de dezembro de 2025 como peça de arquivo no Tendências do Imaginário (ver Eu, a IA e o Ninho).

O segundo, “Uma tábula rasa: a zona industrial de Alvaredo”, de 2023, entendi enterrá-lo numa gaveta digital até eventual resgate futuro. Passo a arquivá-lo, também, neste blogue. Entretanto, no artigo “Quando a esmola é grande. A industrialização do interior”, no jornal Diário do Minho de 20.02.2024, retomei a reflexão, mas com outra abrangência. Seguem ambos os textos em pdf, sem mais comentários, “para memória futura”.

Texto 1: Uma tábula rasa: a zona industrial de Alvaredo

*****

Texto 2: Quando a esmola é grande. A industrialização do interior

Luzinha

Uma cama de luz, uma cadeira de silêncio, uma mesa de madeira de esperança, nada mais: assim é o pequeno quarto onde a alma reside. (Christian Bobin, Ressusciter, 2001).

Em vez de amaldiçoar a escuridão, acende uma pequena luz. (Provérbio chinês).

Anunciante: Galp Energia. Título: A energia do Natal nunca se apaga. Agência: Bar Ogilvy. Direção: João Nuno Pinto. Portugal, novembro 2025

Música para o Paraíso

Rosso Fiorentino. Músico Anjo, ca. 1521. Galleria degli Uffizi

Os anjos tocam e cantam no Paraíso. Nos momentos felizes, ouvem-se na Terra. Nos momentos abençoados, a voz e a música humanas também poderão alcançar o Céu.

Ennio Morricone Concerto Arena di Verona Live 2002, Susanna Rigacci
Ennio Morricone Concerto Arena di Verona Live 2002, Dulce Pontes

Mal fadado

Não possuo um coeficiente de portugalidade elevado. Com alguma frequência, estou em Braga como se estivesse noutro sítio qualquer, porventura Paris ou Veneza. Ter a cabeça fora do lugar contribui para que esteja sobremaneira exposto a determinados estímulos em vez de outros. Por exemplo, no que respeita ao reportório de Dulce Pontes, à canção “Nada Te Turbe”.

Dulce Pontes – Nada Te Turbe. Texto de Santa Teresa de Jesus. Música de Giuni Russo. Dulce Pontes Oficial. Colocado em 01.11.2025

Algo

Fui a Coucieiro, algo rural, com o Eduardo, o Lilo e o Alberto, algo foliões. Na nave da igreja, uma celebração às colheitas, algo tardia, na torre, altifalantes com cantigas brejeiras, algo profanas, e no salão paroquial, a Festa das Papas de Sarrabulho, algo precoces. No regresso, a tasca do Valente, na Senhora do Alívio, algo atemporal, e, em casa, os Penguin Cafe Orchestra, algo minimalistas. No conjunto, um domingo, algo entre o céu e a terra.

Penguin Cafe Orchestra – Air à Danser. Penguin Cafe Orchestra, 1981
Penguin Cafe Orchestra – Prelude and Yodel. Penguin Cafe Orchestra, 1981
Penguin Cafe Orchestra – Telephone and  Rubber Band. Penguin Cafe Orchestra, 1981
Penguin Cafe Orchestra – Music for a found harmonium. Broadcastinf from Home. 1984
Penguin Cafe Orchestra- Perpetuum Mobile. Signs of Life.1987

“As da raia”, contrabando entre Galiza e Portugal

O jornal galego Faro de Vigo publica hoje, 25 de outubro de 2025, a reportagem “«As da raia», contrabando entre Galicia y Portugal”, da autoria de Malena Álvarez. O artigo focaliza-se em particular no concelho de Melgaço. Contém testemunhos de várias mulheres que intervieram no contrabando. Tive o gosto de colaborar, tal como o Américo Rodrigues. Para aceder ao artigo, carregue na imagem seguinte ou no endereço: https://www.farodevigo.es/estela/2025/10/25/as-da-raia-contrabando-galicia-123019046.html

«As da raia», contrabando entre Galicia y Portugal. Por Malena Alvarez. Jornal Faro de Vigo, 25 OCT 2025 18:33

A mobilização das identidades locais. O caso da aldeia da Varziela de Castro Laboreiro

Acaba de ser publicado na revista Trabalhos de Antropologia e Etnologia (2025, volume 65, pp. 379-398) o artigo “Varziela – Do comunitarismo agro-pastoril às redes sociais”, da autoria de Álvaro Domingues.

Chegou a estar previsto integrar este estudo na revista Boletim Cultural nº 11, da Câmara Municipal de Melgaço, lançada em janeiro de 2025, mas não se proporcionou.

Centrado em Castro Laboreiro, nomeadamente na aldeia de Varziela, o artigo constitui, antes de mais, um ensaio sobre a mobilização das identidades locais na era da globalização, no caso vertente um projeto de aproveitamento turístico por um influencer de um lugar (destino) recôndito com selo (#) de autenticidade cultural e qualidade ambiental.

Centrado em Castro Laboreiro, nomeadamente na aldeia de Varziela, o artigo constitui, antes de mais, um ensaio sobre a mobilização das identidades locais na era da globalização, neste caso, a propósito de um projeto, promovido por um influencer, de aproveitamento turístico de um lugar (destino) recôndito com selo (#) de autenticidade cultural e qualidade ambiental.

Para aceder ao artigo através do link respeitante à globalidade da revista, carregar na imagem com a capa ou no seguinte endereço: https://revistataeonline.weebly.com/uacuteltimo-volume.html

Acrescento um vídeo com o projeto de aproveitamento turístico da aldeia da Varziela programado pelo  influencer João Amorim.

Comprei MEIA ALDEIA por 100 000 € – O projeto. Follow the Sun. Colocado em 17.03.2024