Centelha celestial
Pressente-se Deus em tudo que é belo; aproximamo-nos do divino criando beleza.
“Se a beleza que vejo não fosse centelha do eterno,
nunca inflamaria em mim desejo tão alto;
mas do céu vem aquilo que em ti me atrai,
e para o céu deve levar-me de volta.”
(Michelangelo)
O jardim das verduras inadiáveis

A Marta Carvalho enviou-me o anúncio “Bok Choy/Garden of Doom”, da Thai Health Promotion. Agradeço sobremaneira porque resulta difícil encontrar uma curta-metragem mais delirante, ousada e polissémica. Já a tinha colocado no Tendências do Imaginário em 2019 (Verdura fora de época). Não obstante, continua digna de ser (re)revista.
Imagem: Bok choy ou acelga chinesa
Extravagância
Está a chegar a hora de deitar. O álbum O’Stravaganza – Vivaldi in Ireland é um bom preâmbulo. Publicado pelo músico francês Hughes de Courson, em 2001, é todo ele uma pérola. Segue a canção “Berceuse de Grinne pour Diamait”.
Desbussolar
A publicidade volta ao delírio da construção de mundos impossíveis: baralha realidades, aturde sentidos, concilia opostos, acelera e voa para nenhures. Tudo para chamar a atenção de um público cada vez mais alheado. Trata-se de desbussolar para melhor magnetizar. Seguem dois anúncios recentes tão fabulosos quanto estapafúrdios: “Winning Is Everything”, francês, da WINAMAX; e “Never Stop Playing”, dinamarquês, da LEGO.
Por sinal, está a decorrer uma exposição da LEGO em Lisboa, na Cordoaria Nacional, até 5 de outubro (ver galeria de imagens).
Exposição da LEGO em Lisboa, até 5 de outubro, na Cordoaria Nacional








Anúncio português vintage 8. Adultério
“O teatro tece o quotidiano”. O anúncio “Adultério”, da Câmara Municipal da Maia”, é uma raridade ousada e preciosa. Mostra como superar uma crise dando a volta por fora. “Dar a volta por cima” e “dar a volta por fora” constituem duas virtualidades da “força dos fracos”. Carregue na imagem para aceder ao vídeo.

Dança da vida, triunfo da morte

Um compositor anónimo italiano do início do século XVII, possivelmente Stefano Landi, compôs a passacaglia magistralmente cantada pelo grupo Apollo’s Fire. Trata-se de “um estilo de composição musical baseada num tema, que é repetido constantemente no baixo, e em variações sobre esse tema na melodia principal”.

“Este gênero, que data do século XVI, é fascinante. Simples e direta, a passacaglia atinge o coração do ouvinte com a sua melodia repetitiva e precisa, como o mecanismo de um relógio. O texto representa um memento mori, apresentado com graciosidade, uma dança macabra (…), que nos convida a refletir profundamente sobre a nossa existência.
Imagem: Mestre de Adelaide de Savóia. História de Merlim, Poitiers, ca. 1450-1455
Pois na nossa dança diária da vida, a um dado momento importa entregar-nos a uma pausa de reflexão (…) para nos interrogar se aquilo que somos é aquilo que gostaríamos de ser. É neste momento, quando paramos para pensar, que um novo impulso vital costuma surgir. Indo do movimento para a quietude e depois novamente para o movimento, percebemos que temos um passado e, embora não tenhamos a certeza de ter um futuro, vivemos verdadeiramente no presente. A vida é uma dança para a qual todos somos convidados, sem máscaras nem fantasias. E enquanto durar, por este momento de eternidade, podemos perfeitamente dançá-la bem.” (La Passaglia della Vita ©Marco Beasley: https://www.marcobeasley.it/la-passacaglia-della-vita.html).
Anúncio português vintage 7: Sofá
“Sofá”, da Optimus, ilustra claramente quanto somos filhos do telemóvel. Somos a geração do sofá, das emoções confortáveis, mas pertencemos, em particular, à geração do telemóvel, no duplo sentido de época e progenitura. [Carregar na imagem para aceder ao anúncio].







