Cansado da Espada
Não a conseguimos agarrar: a felicidade tem asas (Damócles)

Não estou só “cansado da América”, mas da espada, em geral. Rufus Wainwright (Ruz), nascido em 1973 em Nova Iorque e residente no Canadá, é compositor e compositor brilhante com uma voz única. No entanto, “apesar de um crescente grupo de fãs e da grande aclamação da crítica, Ruz alcançou somente um pequeno sucesso comercial”.
Imagem: Thomas Couture. Damócles. 1866
Troncalidade

O Alberto e o Eduardo descobriram em Melgaço o Bar das Termas (Peso), a Tasquinha da Portela (Paderne), o bar de vinhos Contrabando (Praça da República, na Vila), o Mosteiro de Fiães, onde beneficiámos da hospitalidade do Padre Rogério Rodrigues, e, por último, o Café Jardim (Penso). O percurso terminou em Moledo, no restaurante O Trem. No que me respeita, tive a felicidade de ficar a conhecer a voz do Edson Cordeiro.
Edson Cordeiro nasceu em 09 de fevereiro de 1967, em Santo André, grande ABC. Frequentou a igreja do Evangelho Quadrangular, onde começou a cantar no coral. Na adolescência, trabalhou com teatro infantil, como parte da companhia teatral da Turma da Mônica. Em meados dos anos 1980, teve uma exitosa carreira teatral participando da ópera rock “Amapola” (1985), da terceira montagem brasileira do musical “Hair” (1988) e da peça “O doente imaginário” (1989). Em 1990, realizou seus primeiros shows solos no Rio de Janeiro e em São Paulo. O sucesso de suas apresentações resultou em um contrato com a gravadora Sony, lançando em 1992 seu primeiro disco “Edson Cordeiro”. No final dos anos 1990, lançou as coletâneas “Disco Clubbing – Ao vivo” e “Disco Clubbing 2 – Mestre de Cerimônia”, com regravações de clássicos da Disco Music internacional. Em 2010, mudou-se para a Alemanha, onde vive. (https://memorialdaresistenciasp.org.br/pessoas/edson-cordeiro/)
Imortalidade funerária
Como se desenvencilham as agências funerárias para fazer publicidade? De muitas formas. Tenho especialmente gravado na memória o anúncio deveras criativo da Funerária Funalcoitão de Alcabideche do Município de Cascais (ver O Prazer dos Mortos).

A campanha recente da empresa J. García López, do México, terra da Santa Muerte, é um caso. Seguem três anúncios da série “Volvámonos inmortales”, a que acrescento dois mais antigos: “Sigues aquí: nuestro gran Homenaje®️ a la vida” (2024), com recurso à IA, e “Lo que quiero hacer antes de morir” (2012).
Ser ou não ser especial

O blogue Peixinho de Prata recorda, hoje, no artigo 50 Anos, 50 Músicas – #24 Creep, Radiohead, a canção “Creep” dos Radiohead, acompanhando-a com um comentário pessoal. Em alto, em baixo ou algures no intermédio, eis uma boa maneira de começar o dia.
Amor e Fidelidade

No anúncio “Abandon” da Sociedade Protetora dos Animais (SPA, França) não é o som da “voz do mestre” que sensibiliza, mas a alta fidelidade da voz do animal. Mais um anúncio comovedor que alerta para o problema do abandono de animais domésticos em França, país com uma das incidências mais altas da Europa: cerca de 100 000 por ano.
Inicia no dia 28 de julho, até 3 de agosto, a 11ª edição do MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço, uma iniciativa a vários títulos única e notável. Acerca do programa deste ano, João Martinho publicou no jornal Voz de Melgaço uma apresentação ao mesmo tempo atenta e concisa: “MDOC 2025: Novos olhares e reflexões sobre o território regressam de 28 de julho a 3 de agosto”.

Nem Shakespeare, nem Molière


Não há Shakespeare, nem Molière, que resista! Ultrapassou-se, ao mesmo tempo, a tragédia e a comédia.
Vacinas e chaves

Resulta cada vez mais difícil discernir o que provém da Inteligência Artificial. Na verdade, a “extensão do humano” não para! Antes, acelera. Que não se frature ou estampe. Por enquanto, o “demasiado humano”, as emoções e o delírio continuam de vento em popa, com as bombas a abafar cada vez mais as palmas.

O desenvolvimento da lA incentiva a busca de redutos e vacinas. A World oferece-se como uma plataforma que visa “criar provas de personalidade à escala global, proteger a identidade humana e expandir o acesso a um ecossistema que preserva a privacidade”.
Rostos gerados com recurso à IA a partir de obras de Otto Dix
Segue o anúncio “Human And You Know It”, da World, que retoma a canção tradicional “If you’re happy and you know it”.
Vaya Con Dios en las alas del tiempo
Uma amiga estranhou que o Tendências não incluísse nenhuma canção dos Vaya Con Dios. Também! Trata-se de uma das minhas bandas de estimação. Mas não há miséria que não traga fartura. Seguem cinco canções: três do concerto de despedida de 2014 em Bruxelas (“What’s A Woman”, “I Don’t Wanna Know” e “Quand Elle Rit Aux Eclats”) mais “Don’t Cry For Louie” e “Time Flies”. Bom São João!
Música da Grécia Antiga
As árvores com raízes profundas são as que sobem mais alto

A música não tem margens nem fundo. Navegamos e revemo-nos nas águas sem pressa de ancorar. Os ventos sopram para a Grécia Antiga. O timoneiro é Gregorio Paniagua, nascido em Madrid em 1944. Celebrizou-se como músico e musicólogo. Estudou violoncelo e viola de gamba, bem como direção de orquestra. Tocava, também, outros instrumentos musicais tais como a vihuela, o alaúde e a sanfona.
Autorretrato de Gregorio Paniagua
Em 1954, fundou, com irmãos e primos, o ensemble Atrium Musicae com que se apresentou à volta do mundo. Estudou, recuperou e interpretou repertórios de música antiga. Para esta “arqueologia”, criou uma oficina onde recria os instrumentos musicais da época. Publicou cerca de 20 álbuns. O mais célebre é, porventura, o dedicado à música da Grécia Antiga, recolhida em papiros. Destacam-se, também, as coletâneas de música árabe andaluza, pré-colombiana e medieval.
“L’ enfant terribile nasceu um ano antes da era atómica. Desde então, dedicou-se à arqueologia musical, especializando-se em musicologia e realizando suas próprias transcrições em concerto, baseadas nas fontes musicais originais de cada época. Ele também reconstruiu instrumentos musicais antigos em sua própria oficina, utilizando-os em suas apresentações e gravações.
Aos 22 anos, as nove Musas, filhas de Zeus e Mnemosine, o incentivaram a seguir um caminho diferente, e ele decidiu abandonar os estudos de medicina e se especializar em violoncelo no último ano de ambos os cursos. Decidiu não se tornar médico nem violoncelista, dedicando-se à musicoterapia (à qual dedicou sua tese de doutorado: Tarântula-Tarantela, HarmoniaMundi, 1976 ) e ao estudo de códices e manuscritos musicais antigos, a fim de se dedicar à ” arte de viver da arte” , em suas próprias palavras. Fundou o ATRIUM MUSICAE em 1964.
Gregorio Paniagua, na minha opinião, nunca se cansa de sua hiperatividade; seu dom para a música é inato. (GREGORIO PANAGUA. ATRIUM MUSICAE – COMPOSITOR, FUNDADOR E DIRETOR).
Seguem 5 das 25 faixa que compõem o álbum Musique de la Grèce Antique, editado em 1979 pela Harmonia Mundi (França).
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Não creio que seja necessário percebermos de musicologia para apreciar “música erudita”. A música é uma linguagem universal e, sobretudo, uma jexperiência sensorial.
Estas peças musicais da Grécia Antiga transcendem-nos no tempo e também nos cânones musicais, tal como os conhecemos. O que transforma a experiência num estado de espírito. Pede-nos aquele “silêncio” intemporal e expectante, como quando queremos ouvir o som da água, do vento e das próprias pedras. Ideal para escutar num templo, cheio de memórias nos seus muros e com uma abóbada a ampliar as ressonâncias do tempo.
A segunda peça foi a que mais me apelou aos sentidos. Curta mas surpreendente, nos seus sons compassados e quase cintilações dissonantes vindas de um estranho mas fascinante instrumento.
Por outro lado, a quarta peça, com uma abertura caótica e alucinante, seguida de lamúrios nos sons e nos cânticos, desenhou uma história trágica no meu imaginário.
O importante é abrirmo-nos para o desconhecido, e, mais importante ainda, permitir-nos sentir. Apenas. São essas memória que nos mantêm verdadeiramente vivos.
(Almerinda Van Der Giezen)
