Archive | Fevereiro 2025

Cordeiro de Deus

Cornelio Schut, Menino Jesus adormecido. 1675. Original de Bartolomé Esteban Murillo. Museo de Bellas Artes de Sevilla

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
concedei-lhes descanso.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
concedei-lhes descanso eterno”

(Verdi, Requiem, Agnus Dei)

Pai, porquê tanto chamamento? Tende piedade de nós. Também somos cordeiros e Tu, o Pastor. Para a Eternidade.

Imagem: O Bom Pastor. Catacumba de São Caslisto. Roma. Séc. III

Giuseppe Verdi – Agnus Dei. Messa de Requiem. 1874. Interpretação: Cantare Con Vivo Chorale. Condução: David Morales. Com Emily Sinclair, soprano; e Megan Berti, mezzo-soprano, março 2019
Samuel Barber – Agnus Dei, 1967. Baseado no Adagio para Cordas, 1936. Interpretação: Voktett Hannover & voces8, Markuskirche, Hannover,10.09.2022
Gregorio Allegri – Miserere mei, Deus. Década de 1630. Interpretação: coro Tenebriae. Direção: Nigel Short. St. Bartholomew the Great, Londres, colocado em 2018

Sebastian. Cockney Rebel

Imagino-me a regressar do Ribeiro de Baixo para Braga, passando pela Galiza. Apetece-me ouvir algo completamente deslocado. Por exemplo, Sebastian, de Steve Harley & Cockney Rebel. Estreou em 1973, em pleno período de originalidades na música pop/rock. Mesmo assim, gerou estranheza. Canção “corajosa e aventureira”; “tensa, incomum”; “assustadora”; “assombrosa”; “poderosa”; “imensa e imortal”; “gótica”; “épica”; “pop barroca”… No mínimo, impressionante e inesquecível. Colocámo-la? Deixámo-la ecoar por montes, vales e albufeiras… Primeiro, uma versão de estúdio; em seguida, uma interpretação ao vivo.

Steve Harley & Cockney Rebel – Sebastian. The Human Menagerie. 1973. Versão original extensa
Steve Harley & Cockney Rebel – Sebastian. The Human Menagerie. 1973. Live at the Birmingham Symphony Hall on 24 November 2012. DVD, 2013

Ribeiro de Baixo Cabo do Mundo

Imagem extraída do documentário Ribeiro de Baixo Cabo do Mundo
Imagem extraída do documentário Ribeiro de Baixo Cabo do Mundo

“Noite escura, densa, calada. Premonições. Memórias deste e de outro mundo. No Ribeiro de Baixo o nosso dia-a-dia cruza-se com histórias e sinais que vão além do Minho pitoresco. Olha-se atentamente o monte galego do outro lado do rio. Essa fronteira, através da qual todos observam por binóculos, é atravessada entre a vida e a morte. O que procuramos? O lobo que caça? O caminhante solitário? Luzes de estântegas? Que atenção damos a um futuro hesitante? Esperamos, desaparecemos” (Ribeiro de Baixo Cabo do Mundo. Lugar do Real. AO NORTE – Plano Frontal).

O lugar do Ribeiro de Baixo, com uma história e identidade próprias, situa-se nos confins de Castro Laboreiro. A uma dúzia de quilómetros da sede da freguesia, resultava, há pouco mais de cinquenta anos, deveras complicado lá chegar.

O documentário Ribeiro de Baixo Cabo do Mundo, de 2024, com uma duração de 19 minutos, foi realizado por Nuno Mendonça, Rodrigo Queirós e Vitor Covelo e produzido pela associação AO NORTE, durante a residência cinematográfica Plano Frontal, no âmbito no âmbito do MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço.

“A residência cinematográfica Plano Frontal ocorre no âmbito do MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço em simultâneo com a residência de fotografia. O objetivo deste projeto é contribuir para um arquivo audiovisual sobre o património imaterial de Melgaço, dotar o Espaço Memória e Fronteira de obras audiovisuais  e fotográficas que retratem a história da região, promover o filme documentário e o aparecimento de novas equipas técnicas e artísticas.

Quatro equipas formadas por quatro jovens realizadores, quatro operadores de som e quatro operadores de câmara, realizarão, durante uma semana, quatro documentários sobre temas locais que lhes serão propostos. Cada equipa trabalha na montagem do seu filme após o fim da residência. Plano Frontal tem como destinatários os alunos em final de curso que frequentem Escolas do Ensino Superior de Cinema e de Audiovisuais, ou que tenham concluído recentemente a sua formação e é orientado pelo realizador Pedro Sena Nunes” (Ribeiro de Baixo Cabo do Mundo. Lugar do Real. AO NORTE – Plano Frontal).

Sobre a vocação, organização, enquadramento, história, relação com o território e atividades do MDOC- Festival Internacional de Documentário de Melgaço, anexo o pdf do artigo “MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço”, publicado no Boletim Cultural nº 11, de 2024, editado pela Câmara Municipal de Melgaço. A autora, Clara Vasconcelos, tem acompanhado, desde a criação, esta iniciativa, promovida, em boa hora, pelo Município de Melgaço e pela Associação AO NORTE.

Para aceder ao vídeo com o documentário Ribeiro de Baixo Cabo do Mundo, carregar na imagem acima.

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Três fotografias de Castro Laboreiro.

Em Castro Laboreiro (Pântano da Ameijoeira). Foto de Nuno Vieira
Em Castro Laboreiro (Castelo). Foto de Pedro Cunha
Cascata do Rio Laboreiro. Fonte – Município de Melgaço

Notícia sobre a apresentação do Boletim Cultural no jornal Voz de Melgaço

O jornal Voz de Melgaço dedicou uma extensa notícia à recente publicação do Boletim Cultural (nº 11), editado pela autarquia, com fotografias e excertos da apresentação. Para aceder ao respetivo artigo, carregar na imagem seguinte.

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Coordenadores e colaboradores do Boletim Cultural, de Melgaço, nº 11. 18.01.2025. Fotografia: Município
Apresentação do Boletim Cultural, de Melgaço, nº 11. 18.01.2025. Fotografia: Município

Coisas, pessoas e animações

Retomo o texto e a curta-metragem de animação (Paperman, 2012) que coloquei faz mais de dez anos num artigo do Tendências do Imaginário, intitulado O amor, o papel e o digital. Serve para introduzir outra curta-metragem de animação (French Roast, 2008), nomeada para um óscar. O primeiro, Paperman, convoca a alma das coisas, o segundo, French Roast, as coisas da alma.

Que seria do amor sem o papel? Um amor digital? Cartas de amor, quem as não tem? E emails com 720 kb de amor? Corpos Photoshop. Virais ou protegidos, com firewall e anti-vírus. Carícias à velocidade da luz… Tenho cá para mim que um dia virá em que as crianças vão nascer na motherboard por contacto online. Em suma, filhos digitais. Nada que não esteja ao alcance da nossa elite científica, discriminada positivamente pela actual sagacidade política. Vai ser emocionante ler no rodapé dos telejornais: oito gémeos provenientes de uma ligação no Twitter nasceram por download; no Japão, uma consola deu à luz uma futura equipa de futebol… Era tão giro, não era? A descoberta científica do milénio para resolver o problema do século! Agora ou nunca!… Os portugueses ficaram famosos por andar a espalhar sexo pelo mundo. Pelo menos assim o advoga a teoria do lusotropicalismo. Em breve, será a vez do sexo digital e do lusodigitalismo. (https://tendimag.com/2014/02/16/o-amor-o-papel-e-o-digital/).

Paperman (O rapaz do Papel). Realização: John Kahrs. Walt Disney Films, 2012
Oscar-nominated comedy about not trusting appearances | CGI Short film ‘French Roast’. Direção: Fabrice O. Joubert, 2008

Criatividades

Inteirei-me, graças ao Fernando, que o filme Ghost In The Shell (1995), um anime de culto, influenciou o filme Matrix (1999).

As irmãs Lilly e Lana Wachowski, realizadoras de Matrix, assumem, aliás, esta inspiração.

Segue a abertura com os créditos de Ghost In The Shell, a que acrescento o episódio com o despertar de Neo.

Ghost in the Shell 1995 Opening credits scene
Neo Wakes Up Scene | THE MATRIX (1999)