Esperar o amor de olhos fechados
“Les grands hommes se passionnent pour les petites choses, quand les grandes viennent à leur manquer / Os grandes homens apaixonam-se pelas pequenas coisas quando as grandes começam a faltar-lhes” (Alexis de Tocqueville, Correspondance, à G. de Beaumont, 22 mars 1857)

Gosto de gostar e cuido dos meus gostos. Existe muita gente que faz tudo para satisfazer os seus gostos e quase nada para os cultivar. Eu invisto neles. O Tendências do Imaginário peca, aliás, por assumir, desde o início, essa vocação: plantar e jardinar prazeres.
Pode esperar-se o desejado sentado, como Townes Van Zandt em If I Needed You, ou de olhos fechados, como Leo Sayer em When I Need You. Em ambos os casos, estufa-se!
De um modo geral, as canções de Leo Sayer não me empolgam. “When I Need You”, de 1976, uma versão do original de Albert Hammond, representa uma exceção. Ficou-me no ouvido quando saiu, e entendo não a deixar secar na horta.
Esperar pelo amor sentado
“A salvação crucificou-se a si mesma” (Townes Van Zandt, Lungs, 1969)
O aumento da esperança de vida no último meio século, de 64 para 78 anos nos homens e de 71 para 84 nas mulheres, contribui para que muitos se recordem da canção If I Needed You, interpretada em 1972 por Townes Van Zandt. Da sua vasta discografia, retenho ainda Lungs, música composta em 1969 quando tomava medicação que lhe dificultava a respiração. Faleceu em 1997, com 52 anos, vítima de crise cardíaca.
Seul: Barbudos em nevão recorde
Coreia do Sul enfrenta segundo dia de neve intensa que já causou cinco mortes / Vaga de frio poderá estar a abrandar, mas causou mais de 140 voos cancelados, mais de mil escolas fechadas e, pelo menos, cinco mortes. Mais de 40 cm de neve acumularam-se em algumas zonas de Seul. (Público, 28.11.2024)


Os meus dois barbudos estão a rapar um frio de rachar em Seul: 10º negativos e neve com mais de 40 cm.
O Fernando devia estar a caminho do Japão, onde estão 22º positivos, mas o voo foi adiado para sábado.
Que os deuses da Coreia, que são muitos, os agasalhem!
Seguem algumas das fotografias que enviaram ontem, quarta, 27 de novembro.
Imagem: Fernando em Seul. Fotografia de João Gonçalves. 27/11/2024

Galeria: Fotografias do nevão em Seul – 27 de novembro de 2024







“E esta, hein?” Arte com drones

De Seul, na Coreia do Sul, os meus rapazes enviaram-me estes dois pequenos vídeos. Primeiro, pensei que era uma nova espécie de holograma. Mas não! Geram este efeito espantoso com drones mais que sincronizados. “E esta, hein?”
O rinoceronte, o mosquito e o texugo

Potência e agilidade, robustez e leveza, não costumam namorar. Mas existe, porventura, uma mezinha, um segredo, que providencia o casamento. A crer no anúncio No Sweat, a Apple consegue a proeza da “força sem esforço”, graças ao novo microchip M4.
Descobrir relíquias


Entregue a mim mesmo, costumo esquadrinhar as estantes dos CD e dos Vinis em busca de uma relíquia. Um modo de revisitar o passado. Hoje, retive o álbum com os concertos para clarinete e fagote de Mozart. O que me terá cativado para o adquirir em 1980? Mais do que a peça exemplar de fagote, o adagio do clarinete, interpretado, nessa edição da Deutsch Grammaphon, pela Orquestra Sinfónica de Boston, dirigida por Seiji Ozawa.
Segue a interpretação do referido adagio, agora, pela Iceland Symphony Orchestra, com Arngunnur Árnadóttir no clarinete.
O feitiço das castanhas
O feitiço das castanhas
Projetava colocar hoje uma música do Mozart, mas fui a um magusto no Mosteiro de Tibães. Encontrei velhos amigos e até antigos alunos. Regresso jovial e prazenteiro, inebriado pela positividade simbólica das castanhas. Tenho vindo a colocar artigos que, por qualquer motivo, convocam a Alemanha. Pois lembrei-me dos Scorpions, o grupo rock alemão com maior reputação internacional no século passado, cujas baladas se prestam a uma dança com uma parceira imaginária.
Nuvens de lã

Todos viajam nesta casa. A São já está na Holanda e os rapazes, o João e o Fernando, ainda no avião rumo à Coreia do Sul e ao Japão. No que me respeita, nem sequer demando as terras por onde andou o rei pasmado (Gonzalo Torrente Ballester). Fico de guarda, mas não conto carneiros. Vejo, antes, a sua lã transformar-se em nuvens que choram, na extraordinária curta-metragem de animação AFTER DE RAIN, produzida por um grupo de alunos da MoPA (Motion Picture in Arts – Arles, França).
Para a Sara
Um pastor vive sozinho num vale isolado, acompanhado apenas pelo seu rebanho de ovelhas e pelo seu cão fiel. O pastor tem uma aptidão notável: tosquia as ovelhas e cria nuvens com a lã, que por seu turno se desfazem em chuva, mantendo o vale verdejante e fértil. Mas quando o pastor morre, o vale torna-se árido e as ovelhas necessitam ser tosquiadas. Cumpre ao cão encontrar uma solução…
Com imagens extravagantes, uma narrativa escorreita e um fundo musical impecável, esta curta-metragem oferece uma bela parábola sobre natureza, equilíbrio, lealdade e herança. Encanta os olhos e ouvidos com formas suaves e arredondadas e cores lindamente claras, representando personagens e cenários com sensibilidade, graça e atenção aos detalhes e gestos para comunicar emoções. Por exemplo, na maneira como o pastor acaricia o cachorro, na forma como este abana o rabo ou na sua tristeza e perplexidade quando o pastor morre. Mas também há humor fino e bem-disposto, como quando as ovelhas incham por causa da lã demasiado crescida…
AFTER THE RAIN excela ao nível do modo como conta a história. Embora a sua duração seja inferior a nove minutos, possui a profundidade, a inteligência e a sabedoria caraterísticas de narrativas muito maiores. Como a maior parte das grandes histórias da literatura infantil, explora o arquetípico e o simbólico, colocando emoções e dilemas universais ao serviço do esclarecimento moral e emocional (Omeleto, 2020; tradução muito livre).
















































