Cigarettes After Sex

Fumar após o sexo tranformou-se numa espécie de contraordenação. Invocando o nome dos Cigarettes After Sex e convocando a campanha provocadora do IKEA, apetece-me brincar, alinhando combinações com as palavras “sexo” e “fumo”:
[Ontem] Sexo e fumo
[Hoje] Sexo sem fumo
[Amanhã] Nem sexo, nem fumo
[No inferno] Fumo sem sexo
Com 1,32 M de subscritores, i’m a cyborg but that’s ok edita canções dos Cigarretes After Sex acompanhando-as com cenas de filmes: Nothing’s Gonna Hurt You Baby, com Lost in Translation (2003); Affection, com Breathless (1960). Em ambos, sexo e fumo. No segundo, destaca-se Jean-Paul Belmondo, “l’acteur à la cigarrette par excellence”:
“Belmondo’s sexiness was connected – in a way that would now be problematic – to smoking. Stuck aggressively in his mouth, or insolently dangling, cigarettes emphasised his lips and made him look blasé and nonchalant – a look that a generation of young males would try to emulate”. (https://www.bfi.org.uk/news/jean-paul-belmondo-1933-2021).

Jogos agonísticos

Os simulacros de combate constituem um apelo desafiante. Desde crianças. Muitos dos jogos infantis encenam lutas e os filmes western e peplum deliciavam a rapaziada do meu tempo. Por exemplo, no Cine Pelicano, em Melgaço, ou, em Braga, no Pópulo e no Centro Social Paróquia de São Victor. E identificávamo-nos com os heróis. Um momento de glória por projeção mais ou menos estereotipada.
Estátua de Hércules em Bronze dourado, do século 2 aC. Museus Capitolinos
Com a introdução e expansão dos jogos eletrónicos, as atividades lúdicas alteraram-se. Mas a agonística persiste, em particular a luta corpo a corpo. Agora, os jogadores não só assistem mas também intervêm na ação.
Com maior variedade de movimentos e estilos de artes marciais e comandos de controle mais simples e mais intuitivos, Tekken (“Punho de Ferro”) é a série de jogos de luta mais vendida de todos os tempos. Acaba de ser lançada a oitava versão.
Pingos de abril

Os ventos de abril não foram apenas políticos. Agitaram também a relação com a sexualidade: no cinema, na literatura, na música, na moda, no quotidiano. Canções como “Whole Lotta Love”, single dos Led Zeppelin lançado em 1969, caíram como pingos de mel nesta sopa da primavera. Eis no que dá rearrumar os cds numa nova prateleira!
Revista Gaiola Aberta, Maio 1974 a Abril de 1976
Se criar uma exceção e pensar um pouco, estou em crer que, tal como se dispõem as mentalidades, neste quinquagésimo aniversário do 25 de Abril vai ser mais fácil comemorar a viragem na política do que a abertura nos costumes.
Doidinho até mais não poder
Prefiro contemplar autores menos conhecidos, mas excluir os consagrados seria, isso sim, uma doideira.
Fundado em 1995, o trio belga Hooverphonic “mistura música eletrônica com elementos de pop, trip-hop e ambiente”, à maneira dos Portishead e dos Massive Attack. O vídeo da interpretação ao vivo de Mad About You no Koningin Elisabethzaal (Antuérpia), em 2012, colocado pela VEVO no Youtube em 14/10/2016, já ultrapassou 180 milhões de visualizações. Vai mais uma!
Abraça e dança

Com o sol de janeiro, apetece abraçar e dançar! Quando coloquei três covers interpretados pela italiana Margherita Pirri (tendimag.com/2024/01/13/o-mar-a-lua-o-vento-e-a-musica/), prometi acrescentar canções originais, com música e letra da própria cantora. Por agora, seguem Danse e Your Arms Around Me, ambas do álbum Daydream, de 2011.
Pégadas
Um toque de ecologia fica sempre bem!
Caminante, son tus huellas [pégadas]
el camino y nada más
(Antonio Machado)
“Para esta campaña abordamos el concepto de retornabilidad desde una perspectiva única, apelando a las emociones positivas que experimentas al salir de casa y emprender una acción beneficiosa para tu bolsillo. Para transmitir esta sensación, en el comercial aparece una pareja que baila al ritmo de la conocida canción de Moloko Sing It Back. Dado que la melodía cuenta con un coro pegajoso que repite la frase Bring It Back to Me, resulta ideal para motivar a las personas a devolver las botellas de Michelob Ultra. De esta manera, creamos una pieza de contenido atractiva que el público disfrutará”, agregaron Roberto Gabián y Santiago Gonzalez, directores creativos de la agencia.” (https://www.adlatina.com/publicidad/preestreno-michelob-ultra-y-gut-invitan-a-retornar-para-sentirse-bien)
HAEVN & Neco Novellas
Os HAEVN, grupo neerlandês fundado em 2015, foi uma grata descoberta. Neste vídeo da interpretação ao vivo da canção Trade It For The Night, são acompanhados pelo moçambicano Neco Novellas, outra bela surpresa.
Primeiro estranha-se, depois entranha-se

Existem anúncios publicitários que se estranha como o anúncio Mi Gran Noche, da J&B. Não sei se depois também se entranham como a coca-cola do anúncio da autoria de Fernando Pessoa. Acerca da não publicação deste anúncio e da interdição da bebida em Portugal, consultar o artigo Primeiro estranha-se, depois entranha-se, da Quali.pt.
Imagem: Júlio Pomar. Fernando Pessoa. 1983
O vinagre e as moscas
Há muitas maneiras de o dizer e outras tantas de o entender, o que representa um desafio para os agentes publicitários. Tanto podem contribuir, junto do público, para o envolvimento e o agrado como para o enfrentamento e o desconforto, provocando sensações e sentimentos ora de satisfação, confiança e esperança, ora de perturbação, insegurança e receio. Difíceis de antecipar, as reações podem resultar perversas: indiferença, rejeição e, até, adversidade em vez de adesão, reconhecimento e conversão. A maioria dos anúncios comerciais, interessados em congregar e cativar, apostam na primeira modalidade; os anúncios de sensibilização, mais empenhados em assustar e mitigar, na segunda, destacando-se as campanhas antitabaco como exemplo extremo. Na prevenção ambiental ou rodoviária, a opção pela polémica e pelo choque tende a ser menos drástica e sistemática, com eventual recurso à fantasia, à simpatia e, até, ao humor. O anúncio natalício “Llegar”, da Dirección General de Tráfico (DGT), de Espanha, oferece-se como um excelente exemplo.
Um dia virá em que as altas autoridades se dignarão ponderar um provérbio antigo: “Não é com vinagre que se apanham moscas”; ou “Apanham-se mais moscas com uma colher de mel do que com vinte barris de vinagre“.
Entretanto insiste-se, décadas a fio, na repetição, na agressividade e, muitas vezes, na intrusão sem que os resultados correspondam. Algo me escapa! Existirão outras lógicas que não consigo ou ouso equacionar? Além da conversão, a discriminação, a estigmatização e a demonização? A justificação da penalização, nomeadamente através de impostos demasiado excessivos e pouco dissuasivos? Com certeza que não, seria grave.
O mar, a lua, o vento e a música

“La musique creuse le ciel” (A música perfura o céu). Charles Baudelaire, Fusées, VIII, Gallimard, 2016.
“La musique parfois me prend comme une mer!”. Charles Baudelaire, Les Fleurs du Mal, LXIX, Poulet-Malassis et De Broise Libraires-Éditeurs,1857 (“A música me arrasta às vezes como o mar!”, trad. da editora Nova Fronteira, 2012).
Se a música perfura o céu, para onde nos convida o canto de Margherita Pirri?
Compositora e cantora, nascida em Milão, com “uma voz profunda e poderosa capaz de desenhar nuvens feitas de pathos e intensidade” (Giuseppe Catani, Rock.it: https://www.margheritapirri.com/english/bio/), com uma dezena de álbuns publicados, Margherita Pirri bem podia ser mais célebre, o que não deixa de ser motivo reforçado de interesse. Para além das canções de sua autoria, multiplica as versões de obras alheias. Deixo para mais tarde as suas canções originais. Para já, retenho três covers que evidenciam a qualidade da voz e da interpretação. Canções francesas muito especiais: Le vent nous portera, dos Noir Désir (2001); J’ai demandé à la lune, dos Indochine (2002) e Voyage Voyage, dos Desireless (1989).
