Archive | Junho 2012

O artista vai à publicidade: Pablo Picasso

Picasso também aparece na publicidade. Com a desenvoltura, o génio e a grandeza do costume. O anúncio da Apple quer-me parecer que foi extraído do documentário “Le Mystère Picasso” (1956), de Henri-George Clouzot, classificado como “tesouro nacional” pelo governo francês, em 1984. É-nos dado observar, durante 75 minutos a fio, Picasso a fazer e a desfazer, uma após outra, 20 telas.

Marca: Apple. Título: Picasso. Agência: TBWA\Chiat\Day. Direção:  Jennifer Golub. EUA, 1997.

O artista vai à publicidade: Salvador Dali

Pintor, escultor e poeta, Salvador Dali marcou presença em quase todos os media: no cinema, com Luís Buñuel e Alfred Hitchcock; na fotografia, com Philippe Halsman; nos desenhos animados, com Walt Disney. Como ícone do século XX, foi também tentado pela publicidade. Seguem três anúncios: ao chocolate Lanvin, às pastilhas Alka-Seltzer e ao Hotel Saint Régis. Salvador Dali na sua imagem, excêntrica e surrealista, da ponta dos pincéis à ponta dos bigodes.

Lanvin. Dali. EuroAdvertising. França, 1968

Publicitar Arte

Há muito tempo que os museus deitam mão do marketing e da publicidade. E alguns, como a Tate Gallery of Liverpool, fazem-no com arte.

Anunciante: Tate Gallery of Liverpool. Título: State of the Art. Agência: DDB Doyle Dane Berbach. Reino Unido, 1988.

Dança com tinta

O Carlos Nascimento intitulou o seu projeto de dissertação “O Lugar da Estética na Publicidade Atual”. Não resisto à tentação de reescrever “A Publicidade como Lugar da Estética Contemporânea”, por sinal, o mais mediático. Neste jogo de palavras cabe o anúncio produzido pela SuperFad, em 2007, para a NAB, com o objetivo de ilustrar as potencialidades da Phantom HD. Técnica e arte na publicidade.

Cereais com ética

“Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam”. Eis uma recomendação partilhada pelas grandes religiões. Este anúncio avança com uma fórmula alternativa: “O que é bom para ti não é necessariamente bom para os outros” (“It’s not because it’s good for you, that’s good for them”). Cereais à parte, agrada-me esta nova fórmula. A primeira comporta uma forte carga egocêntrica (“não faças”, “não queres”, “te façam”). Os outros giram à volta de ego num movimento de ajustamento. A segunda, em contrapartida, é alocêntrica (“com interesses e atenções centralizados em outra pessoa”) e respeitadora da diferença (contempla a referência cardinal “bom para os outros”). Não me parece que a publicidade seja santa, mas faz milagres, como este de nos pôr a consumir cereais com ética.

Marca: Olvarit. Título: New hype: Baby fitness with personal trainer. Agência: TBWA Pride. Junho 2012.

“Light my Fire”

Anúncio Ride, da “Burn” (Coca Cola), com comentário de Carlos Nascimento:

Marca: The Coca-Cola Company, Burn. Título: Ride. Agência: PUBLICIS MOJO Sydney. Direção: Garth Davis. Austrália, Junho 2011.

“Se Maffesoli precisasse de um exemplo audiovisual para exemplificar as tribus, de que fala, bem como de todo o universo que estas implicam, este filme quase bastaria. O filme começa num espaço anónimo, enterrado, ignorado. Uma voz off, humaniza-o, lançando um desejo: “I have this crazy fantasy on my head… Energy trapped inside my body. The energy commes out. We can do whatever we want”. Enquanto se formula esse desejo, vai surgindo um grupo em movimento. Nenhum em particular é dono daquela voz, daquela ideia interior. Não é um líder que comanda o grupo. Não há dialogo sequer. Aquele pensamento podia ser exteriorizado por qualquer um e não foi por ninguém. O laço entre o grupo é tão forte que nem precisa de diálogo. Cada um pensa por si e sabe que os outros também pensando por si, pensam a mesma coisa que o outro. Não há ligação mais forte do que aquela que não precisa de sinais nem de rituais. Neste grupo de skaters, mais do que ligação é pura conexão. A seguir, é tempo de deixar a energia sair. Sai-lhes do corpo de uma forma sobrenatural, mas, nem por isso, lhes confere poderes assim. O corpo a arder é apenas uma identificação exterior do que os une interiormente. Um sentido que dá prazer maior ao prazer simples que os reúne, o skating. Volte-se ao “we can do whatever we want”. Neste filme esta afirmação tem tudo de sensível e nada de físico. É uma possibilidade que, mais do que implir à acção e à transformação, leva à transcendência. O espaço urbano é um recreio depois da noite cair. Os rastos de fogo na noite têm tanto de belo como de trágico. A música, cujo ritmo impele, também avisa: “Make your move now and try to win the game, but in the end always stays the same.” Nada podia ser mais inconsequente e sem desígnio. O raiar do dia chega e, com ele a normalidade, a dos outros, não a daquele grupo, que mantém presente, e à parte, o seu próprio sonho. “You have to keep that dream alive in your mind.” Só quem é assim é que se vê assim” (O Lugar da Estética na Publicidade Actual, Projecto de Investigação para Candidatura a Doutoramento em Ciências da Comunicação, Universidade do Minho, 2012).

Um Brinde

Permito-me sugerir um cocktail para um brinde à seleção: Uma mão cheia de cores; três ou quatro mulheres; uma boa pitada de criatividade mais um tudo nada de essência oriental; agitar em slow motion. Beber com os olhos fechados.

Marca: Sony. Título: Eye Candy. Agência: chickINchair Productions. Direção: Will Hyde. 2010.

It’s the symbols, stupid!

Mais um anúncio com um objeto erótico e um simulacro de libido oral.
Um anúncio que convoca o sexo é uma provocação. Um anúncio que convoca a religião, também. Um anúncio que convoca ambos é uma tentação.
The Icecreamists é uma empresa com várias gelatarias em Inglaterra. O primeiro sorvete chamou-se “Baby Gaga”, e a Lady processou a empresa. O “Baby Gaga” era feito com leite materno. The Vice Lolly, mais potente que o Viagra, é feito com “água benta” de Lourdes e absinto. Eis um bom exemplo do poder do simbólico.
Sobre The Icecreamists, consultar, em português, http://marketingnacozinha.com.br/2012/04/the-icecreamists/.

The Icecreamists: The Vice Lolly: Vice Creams & Other Guilty Pleasures. Reino Unido, Maio 2012.

 

Fragmentos

Fragmentos de lugares, de momentos e de pessoas num anúncio marcado pela land art de Bruno Aveillan para a Guerlain. Pode um fragmento dizer mais do que o todo? E uma sequência de fragmentos não ser chave mas enigma? Escreve Blaise Pascal: “parece-me impossível conhecer as partes sem conhecer o todo, bem como conhecer o todo sem entender particularmente as partes”.

Marca: Guerlain. Título: Mahora. Direção: Bruno Aveillan. França, Setembro 2000.

Razões para deixar de fumar

Muito se tem investido em campanhas anti-tabaco. A maioria vitimiza (os não fumadores) e culpabiliza (os fumadores), num mundo a preto branco em vias de purificação. Mas há anúncios menos apocalípticos que pretendem apenas contribuir para que os fumadores deixem de fumar, com argumentos e valores positivos, de pessoas para pessoas.

Anunciante: Inpes. Título: Raisons. Agência: DDB Paris. Direção: Yvan Attal. França, 2012