O Sonho e a Multiplicidade

Chorus

O Sonho
“Se sonhássemos todas as noites a mesma coisa, ela nos afectaria tanto quanto os objectos que vemos todos os dias; e, se um artesão estivesse certo de sonhar, todas as noites, durante doze horas, que é rei, creio que ele seria quase tão feliz quanto um rei que sonhasse, todas as noites, durante doze horas, que era um artesão(…) a vida é um sonho um pouco menos inconstante” (Blaise Pascal, Pensamentos).

A Multiplicidade (sugestão de Álvaro Domingues)
“Alguém poderia objetar que quanto mais a obra tende para a multiplicidade dos possíveis mais se distancia daquele unicum que é o self de quem escreve, a sinceridade interior, a descoberta de sua própria verdade. Ao contrário, respondo, quem somos nós, quem é cada um de nós senão uma combinatória de experiências, de informações, de leituras, de imaginações? Cada vida é uma enciclopédia, uma biblioteca, um inventário de objetos, uma amostragem de estilos, onde tudo pode sercontinuamente remexido e reordenado de todas as maneiras possíveis. Mas a resposta que mais me agradaria dar é outra: quem nos dera fosse possível uma obra concebida fora do self, uma obra que nos permitisse sair da perspectiva limitada do eu individual, não só para entrar em outros eus semelhantes ao nosso, mas para fazer falar o que não tem palavra, o pássaro que pousa no beiral, a árvore na primavera e a árvore no outono, a pedra, o cimento, o plástico” (Italo Calvino, Seis propostas para o próximo milénio).

O Sonho e a Multiplicidade
É um privilégio aprender com os alunos. Este vídeo, Chorus, publicado no grupo de facebook do curso de mestrado em Comunicação, Arte e Cultura, convoca o sonho e a multiplicidade: “A chorus of women are borne from the movements of a single dancer in this dreamlike pas de trente-deux. In the tradition of Marey and McLaren, Michael Langan and Terah Maher combine music, dance, and image multiplication to create a film that enhances our perception of motion. ‘Choros’ delivers a visually mesmerizing narrative in three movements, following a dancer’s (Maher) experience of discovery, euphoria, and rebirth through this surreal phenomenon. Featuring music from Steve Reich’s ‘Music for 18 Musicians’” (texto de presentação do vídeo).

Chorus, dirigido por Michael Langan e Terah Maher, com música de Steve Reich. 2011, 13 minutos.

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