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Perdidamente

Trovante.

A um morto nada se recusa? Depende. Depende do vento. A língua portuguesa é exímia em exprimir a dor. Pede sábios e poetas. Segue um poema de Mário de Sá-Carneiro (1916) e um poema de Florbela Espanca (publicado em 1931), ambos musicados e interpretados pelos Trovante.

Trovante. Fim (Quando eu morrer). Terra Firme. 1987.
Trovante. Perdidamente. Terra Fria. 1987.

A um morto nada se recusa

FunalcoitãoEste anúncio é extraordinário. Não tanto por ser promovido por uma agência funerária, mas porque é criativo, ousado, raro. Não releva de um grotesco vulgar. Inspira-se no poema Fim, de Mário de Sá-Carneiro. Original, comporta um tipo de humor que não abunda em Portugal. Uma amiga enviou-me, em boa hora, este anúncio. Na minha infância, um primo, então estudante em medicina, não se cansava de repetir este poema. Cheguei a um ponto da travessia em que a vida segue com excesso de memória, como uma nova Roma onde todos os caminhos vão parar! Em contrapartida, a torneira da vontade, pouco a pouco, tende a encravar. Memória atrai memória: os Trovante musicaram, em cadência lenta, este poema. “Quando eu morrer batam em latas / Rompam aos saltos e aos pinotes / Façam estalar no ar chicotes / Chamem palhaços e acrobatas”. Burros não hão-de faltar!

Marca: Funalcoitão. Tema: A um morto nada se recusa. Agência: BAR. Direcção criativa: Diogo Anahory e José Carlos Bomtempo. Portugal, 2014.

Trovante. Fim. Uma noite só. 1999.