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Ninguém morreu; apenas poesia

Pouco ou nada parece passar-se. Entretanto, o YouTube entende sugerir, de St. Vincent a Saint Saviour, músicas menos estreladas.

Saint Saviour – Poetry. Sunseeker, 2024. Live from Yawn Studios. Colocado em 03.11.2023
Saint Saviour – I Remember. In the Seams, 2014

Reciclagem. Au Revoir Simone

Envelheço e reciclo. Recupero textos e remendo vídeos. Ocupa mais do que criar. Negligencio o blogue, sujeito a outros interesses e interlocutores, mais presenciais e interativos. O frio também contribuiu para desleixar a barba. Amanhã, tenho uma reunião: nada como duas giletes descartáveis e um Cd com música etérea e discreta. Por exemplo, The bird of music (2007), do trio nova-iorquino Au Revoir Simone.

Au Revoir Simone – The bird of music. 2007. Full album.

A Noiva Estelar

A “noiva penada” dos Serões dos Medos lembrou-me duas “noivas cantoras”: uma estelar; a outra, lunar. A primeira, Karen Elson, é uma modelo cantora que “assombrou a música”. Uma versão inglesa da francesa Carla Bruni. Casou, consagrada por um xamã, em 2005, com Jack White, dos White Stripes, numa canoa no rio Amazonas. Os títulos das músicas não enganam: “O fantasma que anda”, “A verdade está na sujeira” (uma “noiva cadáver” é protagonista do vídeo oficial); “Maravilha Cega”, “Sombra quebrada”…

A outra noiva, a lunar, fica para o próximo artigo.

Karen Elson – The Truth Is In The Dirt. The Ghost Who Walks, 2010. Vídeo oficial
Karen Elson – The Ghost Who Walks. The Ghost Who Walks, 2010. Live in Studio-A, 2011
Karen Elson – Wonder Blind. Double Roses, 2017. Live in Paste Studios – New York, 2017
Karen Elson – Call Your Name. Double Roses, 2017. Vídeo oficial
Karen Elson – Broken Shadow. Single, 2022

Qualquer direção

O Tendências do Imaginário anda demasiado visual. Como que suspendeu o lado acústico. Desta vez, não opto, como costumo, pelas prateleiras, mas pelas pastas de arquivos com CDs. Tenta-me o Fly Yellow Moon, do Fyfe Dangerfield, de 2010. Conhece? Trata-se de um compositor, teclista, guitarrista e vocalista britânico, fundador da banda Guillemots. Com formação e incursões na música clássica, algumas das suas canções lembram os Beatles. Creio que Fly Yellow Moon é o seu único CD a solo. Deveras regular, resulta difícil destacar esta ou aquela canção. Segue uma mão-cheia, respeitando a respetiva ordem. Já não escutava o Fyfe Dangerfield há muito tempo. Dá para se recostar e dormitar leve e intermitentemente.

Fyfe Dangerfield – Barricades. Fly Yellow Moon, 2010
Fyfe Dangerfield – Faster than the setting sun. Fly Yellow Moon, 2010
Fyfe Dangerfield – She needs me. Fly Yellow Moon, 2010
Fyfe Dangerfield – Don’t be shy. Fly Yellow Moon, 2010
Fyfe Dangerfield – Any direction. Fly Yellow Moon, 2010

Concha crepuscular

Imagino os anos noventa como uma concha com bastantes pérolas raras, mas de pouco aconchego para a geração vindoura. Mergulhou-a em águas paradoxais e paroxísticas, com a herança por desventura mais complicada desde a Segunda Guerra.

Os Mazzy Star eclodiram nos anos noventa. As suas canções ainda reverberam, sem, contudo, viralizar. Um rio subterrâneo em território sombrio e confuso. Em suma, desconchavado. Em vez de nos ufanar com as riquezas e conquistas que conseguimos, creio revelar-se mais oportuno assumir os desafios e as misérias que criámos e não enfrentámos. Um legado de tanta potência e vulnerabilidade numa vertigem de ansiedade e melancolia.

Os Mazzy Star são uma banda norte-americana de rock alternativo, fundada em 1989, composta, principalmente, pelo guitarrista David Roback e pela vocalista Hope Sandoval. Particularmente ativa até 1997, lançou três álbuns durante esse período: She Hangs Brightly (1990); So Tonight That I Might See (1993); e Among My Swan (1996). O quarto álbum, Seasons Of Your Day, foi editado em 2013, um ano antes de a banda se dissolver. “Fade Into You” (1993), “Into Dust” (1993), “Blue Light” (1993), “Flowers in December” (1996) e “Look On Down The Bridge” (1996) constam entre as canções mais caraterísticas e de maior sucesso.

Mazzy Star – Fade Into You. So Tonight That I Might See, 1993. Live at the Shoreline Amphitheatre in 1994
Mazzy Star – Into Dust. So Tonight That I Might See, 1993. Black Session, Studio 105 Paris. October 26th 1993
Mazzy Star – Blue Light. So Tonight That I Might See, 1993
Mazzy Star – Flowers In December. Among My Swan, 1996. Dutch music show “2 Meter Sessies”. Filmed on November 6, 1996
Mazzy Star – Look On Down From The Bridge. Among My Swan, 1996

Tempo para tudo

Ter todo o tempo do mundo pode ser bom!

Rui Veloso. Todo o tempo do mundo. Avenidas. 1998

Ter tempo para tudo talvez não seja pior! Até para tentar tempos alheios. Se os Slow Show lembram Roger Waters, os Elbow lembram Peter Gabriel.

Elbow. Starlings. The Seldom Seen Kid. 2008
Elbow. Grounds for Divorce. The Seldom Seen Kid. 2008. Live at British Summer Time in Hyde Park, London on 8th July 2017
Elbow. One Day Like This. The Seldom Seen Kid. 2008. Live at British Summer Time in Hyde Park, London on 8th July 2017

Rendimentos marginais. The Slow Show

A virtude da errância, de errar perdidamente, reside em poder acertar no imprevisto, acrescentar, por ventura, um pouco de prazer ao prazer. Os Slow Show lembram-me, com ou sem razão, Roger Waters.

The Slow Show. Low (with Hallé Youth Choir). Lust and Learn. 2019
The Slow Show. Dresden. White Water. 2015. Live at Hallé St. Peter’s, Manchester, 2014
The Slow Show. Break Today. Dream Darling. 2016. Live at Haldern Pop Festival, 2015
The Slow Show. Rare Bird. STILL LIFE. 2022
The Slow Show. Blinking. STILL LIFE. 2022

A cabeça e o coração.

The Head and The Heart.

The Head And The Heart são uma banda indie formada em 2009 e muito conhecida na terra deles: Seattle (EUA). Ouve-se com agrado. Para variar!

The Head And The Heart. Gone. Let’s Be Still, 2013.
The Head And The Heart. Another Story. Let’s Be Still. 2013.

Fiona Apple. A travessia de um prodígio

Ce sont des tomates, chérie! Fotografia: Conceição Gonçalves

“O interessante é que eu odiava Fiona Apple e suas músicas “deprê”, com ritmos esquisitos, uma falta de continuidade em melodias, que se misturavam com outras bem abruptamente, aquilo confundia meus ouvidos e eu simplesmente não gostava / Suponho que de tanto escutar, terminei acostumando e abrindo os ouvidos e olhos para as melodias e letras que ecoavam pelo quarto. E poxa vida, que letras! Fiquei maravilhada com o que aquela mulher escrevia, tudo era de uma beleza e profundidade que rasgava por dentro quem as escutava com atenção “ (Quasar3000).

“Ao contrário dos julgamentos que recebeu, Fiona sempre esteve à frente de seu tempo. Ao expressar os seus dilemas na música, ela paralelamente criticava a mesma sociedade que a condenava. Desde o princípio, temas relativos ao ‘’ser mulher’’ estiveram presentes em sua arte” (Delirum Nerd).

“Canções metafóricas, temáticas psicológicas e melodias bem trabalhadas fizeram com que Fiona Apple conquistasse cedo o apreço do público e dos críticos, seu disco de estreia vendeu mais de 3 milhões de exemplares nos Estados Unidos, e com apenas 19 anos, a cantora ganhou seu primeiro Grammy” (Wikipedia).

Fiona Apple. Hot Knife. The Idler Wheel… 2012.
Fiona Apple. Every Single Night. The Idler Wheel… Ao vivo, 28 de Outubro de 2017.
Fiona Apple. Criminal. Tidal. 1996.

Calexico e Gisela João

Gisela João.

Nas horas perdidas, costumo pesquisar publicações recentes de músicos de que perdi o rasto. Chegou a vez dos Calexico, uma banda do sudoeste americano caracterizada por uma postura de fronteira. Cruzam géneros, culturas, línguas e intérpretes. Num álbum recente, Seasonal Shift (2020), convocam o “fado”, com a participação Gisela João (Barcelos):

  1. “Tanta Tristeza” (feat. Gisela João)
    At the end of every year we tend to look back at what we’ve done or where we’ve gone. There is a lot of reflecting and a lot of celebrating, too. But it’s in that reflecting and remembering that matches beautifully with the winter layers we burrow ourselves in. Musically I had no idea when I mapped out these chords on my piano that instead I would be recording them on my nylon guitar that goes on every tour with me. On my guitar, whose nickname is “Manny,” there is an image of Portuguese Fado singer Amália Rodrigues. She is my patron saint of the minor blues and the path that leads from my musical door to the heart of the world.
    I recorded this tune late at night, and while listening upon playback Sergio suggested I sing a few Spanish lines of his that dealt with saying goodbye to a friend who had tragically died. They became the chorus, but still the song had no verses and finally I asked our friend Raúl to help translate some verses into Portuguese and see if Gisela João would be willing to collaborate. When we heard her vocals come back and placed in with the song, I knew this was a full-circle kind of moment. The song came about in the most unusual way, and it showed me to remember to trust the process and not worry about anything else. Keep following the heart of the musical idea that is there in front of you (Joey Burns: https://floodmagazine.com/83244/calexico-seasonal-shift-track-by-track/).

Segue a canção “Tanta tristeza”, dos Calexico, com Gisela João. Acrescento Crystal Frontier (Hot Rail, 2000) na versão original e na versão acústica, por sinal, bastante diferentes.

Calexico (Feat Gisela João). Tanta Tristeza. Seasonal Shift. 2020.
Calexico. Crystal Frontier. Hot Rail. 2000. Versão original.
Calexico. Crystal Frontier. Hot Rail. 2000. Versão acústica.