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Diga-o com robots!

Trauma, garra, amor, frustração, engano… diga-o com máquinas, de preferência com robots! Resulta mais eloquente.

Anunciante: War Child. Título: Escape Robot. Produção: Raw London. Direção: Thomas Martin. Reino Unido, janeiro 2018
Marca: Oxford. Título: Cool Robot – Never Give Up. Agência: gyro:paris. Direção: Drake Doremus. França, agosto 2016
Anunciante: Cinemark & Hoyts. Título: Robot. Agência: Geometry. Direção: CLAN. Argentina, 2019
Marca: Carl’s Jr. Título: Robot. Agência: David&Goliath (Los Angeles). Direção: Rocky Morton. Estados Unidos, 2011
Marca: Hamlet. Título: Robots. Agência: Cdp. Reino Unido, 1977

Atribulações climáticas

O ambiente e as alterações climáticas estão na ordem do dia. Até rendem simbolicamente como alegoria ou disparate. Por exemplo, na publicidade, como alegoria no anúncio The Tempest, do Grupo Boticário, e disparate, no anúncio The Big Jump, da Gaz Réseau Distribution France (GRDF).

Anunciante: O Boticário. Título: Tempest. Agência: ALMAP/BBDO (Sao Paulo). Direção: Kid Burro. Brasil, maio 2024
Anunciante: GRDF. Título: The Big Jump. Agência: Rosa Paris. Direção: Traktor. França, abril 2024

Mãos que protegem; mãos que castigam

Mãos exageradas, para orientar o olhar para o Menino e para significar proteção. Virgen con el Niño. Catedral de Nuestra Señora de la Asunción. Valladolid. Meados do séc. XIII.

Moi j’ai les mains sales. Jusqu’aux coudes. Je les ai plongées dans la merde et dans le sang. Et puis après ? Est-ce que tu t’imagines qu’on peut gouverner innocemment ? (Jean-Paul Sartre. Les Mains Sales. Éditions Gallimard. 1948. Pág. 200)

A associação francesa StopVEO Enfance Sans Violences acaba de publicar um anúncio de sensibilização excelente a alertar para a violência de que são vítimas as crianças com a justificação de contribuir para a sua educação. A mão, motivo principal brilhantemente explorado, remete sobretudo para o contato físico. Aguarda-se uma segunda parte que incida sobre a cabeça e a violência psicológica. Evidência que a Stop VEO não ignora:

“L’acronyme « VEO » est la Violence (physique, psychologique ou verbale) utilisée envers les enfants dans une intention Éducative (pour leur « bien », pour qu’ils aient un « bon comportement »), culturellement admise et tolérée, dans tous les lieux et tous les milieux ; elle en devient alors « Ordinaire ».”
“Les conséquences de la VEO sont considérables. Elles constituent une question de santé publique parce qu’elle est encore très largement employée : 85 % des parents reconnaissent avoir recours à la fessée (71,5% à des « petites gifles »). La moitié des enfants sont frappés avant l’âge de 2 ans, et les trois quarts avant l’âge de 5 ans (étude menée par l’OVEO (Observatoire de la violence éducative ordinaire) en 2017)”. (https://stopveo.org/veo-violence-educative-ordinaire/)

Anunciante: StopVEO Enfance Sans Violences. Título: The Legacy. Agência: Publicis Conseil, Paris. Direção: Cole Webley. França, abril 2024

Pegar na mão de uma criança

Sara. Países Baixos

O trenó do Pai Natal, desta vez, atrasou-se. A prenda só chega na próxima semana. Pois seja! Mas em verdade vos digo que a idade pode ser uma bênção. Há estatutos e encantos pelos quais é necessário esperar.

Seguem duas interpretações da canção Prendre Un Enfant, de Yves Duteil: em 2021, com 72 anos; e, em 1979, com 30.

Yves Duteil. Prendre Un Enfant. Tarentelle. 1977. France TV/France 5, 5 de maio de 2021
Yves Duteil. Prendre Un Enfant. Tarentelle. 1977. Emissão de TV, 7 de abril de 1979. Archives INA

Prendre Un Enfant (Yves Duteil)

Prendre un enfant par la main
Pour l’emmener vers demain
Pour lui donner la confiance en son pas
Prendre un enfant pour un roi

Prendre un enfant dans ses bras
Et pour la première fois
Sécher ses larmes en étouffant de joie
Prendre un enfant dans ses bras

Prendre un enfant par le cœur
Pour soulager ses malheurs
Tout doucement, sans parler, sans pudeur
Prendre un enfant sur son cœur

Prendre un enfant dans ses bras
Mais pour la première fois
Verser des larmes en étouffant sa joie
Prendre un enfant contre soi

Prendre un enfant par la main
Et lui chanter des refrains
Pour qu’il s’endorme à la tombée du jour
Prendre un enfant par l’amour

Prendre un enfant comme il vient
Et consoler ses chagrins
Vivre sa vie des années, puis soudain
Prendre un enfant par la main

En regardant tout au bout du chemin
Prendre un enfant pour le sien

Pescoços de borracha. A curiosa arte de espreitar

Nicolaes Maes. Espia. 1657

Hoje, vi apenas dois anúncios. Convergem num mesmo trejeito ou propensão: da Tailândia ao Perú, o que está a dar é espreitar, espreitar aquilo que os outros possuem, fazem e sentem (vídeos 1 e 2). A privacidade e a intimidade resumem-se, quando muito, a nomes de perfumes que desmaiam no ar do tempo. A continuar deste jeito o ser humano conhecerá uma nova alteração darwiniana: pescoços de borracha (Rubberneckers, “curiosos”; vídeo 3).

Marca: Robinson Department store. Título: The Air Drummer. Agência: Wolf BKK. Tailândia, março 2023
Marca: Vencedor Paints. Título: Celeste. Agência: Circus Grey. Direção: Lucia Amigo. Perú, março 2023
Murray Head. Rubbernecker. Between Us. 1979

Rubbernecker (Murray Head)

He is a rubbernecker
A human double-decker
Another trouble-checker

Hanging around the scene of the crime
He’s got nothing to say tho’ he’ll get in the way
Cos that’s how he likes to spend his time
Rubbernecker

He is a rubbernecker
A watch in any weather
He gets sadistic pleasure
Knowing he’s O.K., and free of blame
He saw it all happen, but he don’t know why
He’s glad he was there all the same.
Rubbernecker

Oh god it’s hard to see ourselves when we’re to blame
For watching someone else do what we cannot do
For shame, for fear or pride, as long as we can hide.
Rubbernecker

He is a rubbernecker
A human double-decker
Another trouble-checker

The ever silent witness on the side
He likes to stand and stare and sniff the atmosphere
Don’t ask him for support he’s a watchman not a guide.
Rubbernecker

A música soturna de Anna von Hausswolff

Orestes mata Clitemnestra (que coloca a mão no seio nu em sinal de súplica). Ânfora. Grécia. ca. 340 AC

Na mitologia grega, Electra induziu o seu irmão Orestes a assassinar a sua mãe Climnestra para vingar a morte do seu pai Agamémnon por esta arquitetada. Carl Gustav Jung propôs a noção de complexo de Electra como contrapartida do complexo de Édipo.

Partilhada pelo meu primo Bruno, a primeira música que ouvi hoje foi “‘The Mysterious Vanishing of Electra”, interpretada pela sueca Anna von Hausswolff, cantora já contemplada neste blogue (https://tendimag.com/2012/11/09/anna-von-hausswolff/). Adicionei duas músicas para aprofundar o impacto: “Liturgy of Light” e “Funeral for My Future Children”. Uma maneira bastante lúgubre de começar o dia. Quer-me parecer que o ambiente acústico só poderá melhorar.

Anna von Hausswolff. The Mysterious Vanishing of Electra. Dead Magic. 2018
Anna von Hausswolff. Liturgy of Light. Ceremony. 2012
Anna von Hausswolff. Funeral for My Future Children. Ceremony. 2012

Amor de filho

C.P. Group. Gratitude. Tailândia. 2018

Dispõe de seis minutos para comover o coração e expor a consciência? Promovida por uma cadeia de distribuição tailandesa, C.P. Group, esta curta metragem sobre o cuidado dedicado a uma mãe vítima de Alzheimer talvez configure uma boa oportunidade.

Marca: C.P. Group. Título: Gratitude. Agência: Ogilvy Bangkok. Tailândia, setembro 2018

Recordação dos Reis

Doc Morris Take Care of Yourself. 2020

Este anúncio escapou-me no Natal de 2020. Voltou a escapar em 2021. Ia também escapar em 2022. Mas os Reis resgataram-no. Era uma pena!

Marca: Doc Morris. Título: Take Care of Yourself. Agência: Jung von Matt / Saga. Direção: Sune Sorensen. Alemanha, dezembro 2020

Anúncio quase perfeito

J&B. She. Espanha, novembro 2022

De qualquer ângulo, o anúncio “She/Abuelo”, da J&B Spain, é quase perfeito. Só não é perfeito porque a perfeição não existe.

Marca: J&B Spain. Título: She/Abuelo. Agência: El Ruso de Rocky. Direção: Gabe Ibanez. Espanha, novembro 2022

Baralhar palavras

O anúncio holandês “Husky Frida”, da Dutch State Lotery, além de divertido, é invertido, “pega-lhe pelo avesso”: “não esperes que a sorte te sorria”, “não te fies na lotaria”. É, em suma, dinvertido, para bricolar letras ao jeito de François Rabelais, que inventou palavras tais como autómato, indígena ou agelasta (aquele que nunca ri, que não sabe rir).

François Rabelais (1494-1553)

Marca: Staatsloterij. Título: Husky Frida. Agência: TBWA / Neboko (Amsterdam). Holanda, dezembro 2022