Archive by Author | tendências do imaginário

O sonho de voar, o negócio de vestir

Burberry. Open Spaces. Outubro 2021.

Voar, eis o sonho! Coreografar, eis a arte! Vestir, eis o negócio!

Marca: Burberry. Título: Open Spaces. Agência: Riff Raff. Reino Unido, outubro 2021.

Causas

As causas suscitam-me reservas. Em seu nome, agride-se, condena-se, conspira-se, manipula-se, reinventa-se, censura-se e engana-se… Convictamente! Prefiro a ilusão da universalidade. Dispenso meios e objetivos certos e certeiros.  Quando me quero aproximar do alvo, aponto ao lado, como nas barracas de tiro.

Marca: Guides Tao. Título: Hate To Project. Agência: TBWA (Paris). França, outubro 2021.

Viva a família!

Ladder Insurance. So Good. 2021.

Os anúncios So Good e Let Life Happen, ambos promovidos por companhias de seguros, podem não parecer mas são, certamente, por eventual cambalhota de sentido, dois incentivos à vida familiar e à natalidade. São, não são?

Marca: John Lewis Home Insurance. Título: Let Life Happen. Agência: Adam & Eve DDB (London). Reino Unido, outubro 2021.

Loucura por conveniência

Retrato de Camille Claudel. Pormenor. Cerca de 1883.

“La familia la declaró loca y la metió en un manicomio.
Camille Claudel pasó allí, prisionera, los últimos treinta años de su vida.
Fue por su bien, dijeron.
En el manicomio, cárcel helada, se negó a dibujar y a esculpir.
La madre y la hermana jamás la visitaron.
Alguna que otra vez se dejó ver su hermano Paul, el virtuoso.
Cuando Camille, la pecadora, murió, nadie reclamó su cuerpo.
Años demoró el mundo en descubrir que Camille no sólo había sido la humillada amante de Auguste Rodin.
Casi medio siglo después de su muerte, sus obras renacieron y viajaron y asombraron: bronce que baila, mármol que llora, piedra que ama. En Tokio, los ciegos pidieron permiso para palpar las esculturas. Pudieron tocarlas. Dijeron que las esculturas respiraban.” (Eduardo Galeano. Resurrección de Camille. Espejos. 2008).

Galeria com esculturas de Camille Claudel.

A loucura de Camille Claudel.

“Claudel’s father approved of her career choice, and he tried to help and support her financially. But when he died on 2 March 1913, Claudel was not informed of his death. Instead, eight days later, on 10 March 1913, at the request of her younger brother Paul, she was admitted to the psychiatric hospital of Ville-Évrard in Neuilly-sur-Marne. (…)
Doctors tried to convince Paul and their mother that Claudel did not need to be in the institution, but they still kept her there. According to Cécile Bertran, a curator from the Musée Camille Claudel, the situation was not easy to judge, because modern experts who have looked at her records say she was indeed ill.(…)
For a while, the press accused her family of committing a sculptor of genius. Her mother forbade her to receive mail from anyone other than her brother. The hospital staff regularly proposed to her family that Claudel be released, but her mother adamantly refused each time.[50] On 1 June 1920, physician Dr. Brunet sent a letter advising her mother to try to reintegrate her daughter into the family environment. Nothing came of this.
Paul Claudel visited his confined older sister seven times in 30 years, in 1913, 1920, 1925, 1927, 1933, 1936, and 1943. He always referred to her in the past tense. Their sister Louise visited her just one time in 1929. Her mother, who died in June 1929, never visited Claudel” (Wikipedia. Camille Claudel: https://en.wikipedia.org/wiki/Camille_Claudel).

Demasiado velho para morrer

Jimmy Page & Robert Plant.

De bengala, recomeço, pouco a pouco, a andar. Não me sinto com disposição para música Indie. Apetece-me rock puro e duro, to old to die. Por exemplo, o Jimmy Page, com Robert Plant, ambos dos Led Zeppelin. Seguem três músicas ao vivo: No Quarter; Since I’ve Been Loving You; e Whole Lotta Love (com uma breve introdução).

Jimmy Page & Robert Plant. No Quarter. Ao vivo: London, England – Shepard’s Bush Empire, 1998.
Jimmy Page & Robert Plant. Since I’ve Been Loving You. Ao vivo: Jimmy Page and Robert Plant Unledded with the London Metropolitan Orchestra, 1994.
Jimmy Page & Robert Plant. Whole Lotta Love. Ao vivo: Butzweiler Hof – Cologne. 1998.

James Patrick Page OBE (Heston, 9 de janeiro de 1944) é um músico, produtor musical e compositor britânico que alcançou sucesso internacional como guitarrista da banda de rock Led Zeppelin.

Começou sua carreira como músico de estúdio em Londres e, em meados da década de 1960, tornou-se o guitarrista de sessão mais procurado na Inglaterra. Foi membro dos Yardbirds de 1966 até 1968, e posteriormente fundou o Led Zeppelin, em 1968.

Page é amplamente considerado como um dos maiores e mais influentes guitarristas de todos os tempos.[1][2][3] A revista Rolling Stone descreveu-o como o “pontífice do poder dos riffs”, sendo escolhido em enquete em terceiro lugar na lista dos “100 Maiores Guitarristas de Todos os Tempos”. Em 2010 foi classificado em segundo lugar na lista dos “50 Melhores Guitarristas de Todos os Tempos”. Ele foi introduzido duas vezes no Rock and Roll Hall of Fame: uma como um membro dos Yardbirds, em 1992, e uma segunda vez como um membro do Led Zeppelin, em 1995. Page foi uma inspiração para o estilo de guitarra descendente do guitarrista Johnny Ramone, dos Ramones.[4] Ramone descreveu Page como “provavelmente o maior guitarrista que já existiu”. Page foi descrito pela Uncut como “o maior e mais misterioso herói da guitarra no rock”. A revista Los Angeles Times considerou Jimmy Page como o segundo maior guitarrista de todos os tempos (Wikipedia – Jimmy Page: https://pt.wikipedia.org/wiki/Jimmy_Page).

Desejos sobre carris

As viagens em comboio ou em autocarro propiciam-se à cogitação ruminante, desde a concentração em detalhes passageiros até à evasão onírica. Esta experiência serve de tópico ao anúncio What We Really Want, da Belgium Railway. Lembra a dissertação de de Heidi Martins Rodrigues, Tempos Múltiplos, Sobrepostos e Segregados: narrativas no Luxemburgo (mestrado em Comunicação, Arte e Cultura, Universidade do Minho, 2013), que aborda as âncoras, os pensamentos e os sonhos dos luxemburgueses durante as viagens quotidianas de autocarro entre a residência e o trabalho. Fui, com agrado, membro do júri do do doutoramento em Sociologia da Heidi, na Universidade do Luxemburgo, em 2019, com a dissertação Dynamiques de (dés)appartenances au cours de la vie : le cas des Portugais de “seconde génération” au Grand-Duché du Luxembourg. Saudades do tempo em que ainda não estava confinado, sem covid, em casa.

Para aceder ao vídeo do anúncio carregar na imagem seguinte ou neste endereço: https://www.lbbonline.com/work/59527.

Marca: NMBS / SNCB. Título: What We Really Want. Agência: TBWA Brussels. Direção: Joe Vanhoutteghem. Bélgica, outubro 2021.

Sufjan Stevens. O mistério do amor

Sufjan Stevens.

Sufjan Stevens foi uma grata descoberta dos meus quarenta e tantos anos. Nascido em 1975, no Michigan, é um compositor, multi-instrumentista e cantor difícil de catalogar: “indie folk, indie pop, pop barroco, eletrónica”. Possuo dois álbuns: Seven Swans (2004) e Come on Feel the Illinoise (2005). Escolhi, com alguma dificuldade, três canções: Seven Swans, Chicago e The Seer’s Towers. Acrescento, como primeiro vídeo, a canção Mystery of Love, nomeada para o Óscar de melhor canção original, para a banda sonora de Call Me by Your Name, em 2017.

Sufjan Stevens. Mystery of Love. Call Me by Your Name: Original Motion Picture Soundtrack. 2017. Ao vivo no programa Here with Chris Thile, em 2018.
Sufjan Stevens. Chicago. Come on Feel the Illinoise. 2005.
Sufjan Stevens. Seven Swans. Seven Swans. 2004.
Sufjan Stevens. The Seer’s Tower. Come on Feel the Illinoise. 2005.

A música que vem do frio

Sigur Rós. Takk. 2005.

E se nos afastássemos um pouco dos calores da Califórnia para nos aproximar dos rigores da Islândia. O país possui anfitriões notáveis: não apenas a Björk, mas também outros como os Sigur Rós. Também se toca, canta e dança no gelo.

Sigur Rós. Dauðalagið. Valtari. 2012. Ao vivo em Seyðisfjörður..
Sigur Rós. Hoppípolla + Með Blóðnasir. Takk. 2005. Ao vivo em Best Kept Secret 2013.
Sigur Rós. Varúð. Valtari. 2012.

Doutoramento

Ana Isabel, João e Sara.

A Ana Isabel obteve, ontem, dia 15 de Outubro, o grau de Doutor em Economia Aplicada, pela Universidade de Antuérpia, com uma dissertação intitulada Online reviews andhow to manage them: Effects of eWOM and Webcae on consumer responses and business performance. Sabedoria, brilho e beleza. A Ana Isabel merece dupla felicitação. Por ter concluído, em três meses, o que ainda poucas mulheres conseguem, uma tese, e cada vez menos fazem: um filho. Aproveito para lhe desejar uma excelente carreira como docente na Universidade Livre de Amsterdão. Apreciei, também, a qualidade da organização da prova, a pedir-nos um pouco de benchmarking. Estão ainda de parabéns o João, pelo apoio, e a Sara, pela companhia.

Por falar em Sara, a quem sai a neta?

À mãe, pelo encanto:

A Sara sai à mãe pelo encanto.

Ao pai, pela frontalidade:

A Sara sai ao pai pela frontalidade.

À avó, pelo sono. Ambas dormem pouco e bem.

A Sara sai à avó pelo sono.

Ao tio, pelo humor:

A Sara sai ao tio pelo humor.

Ao avô, sabe-se lá por quê.

A Sara sai ao avô, sabe-se lá por quê.

A emoção serve-se melhor com música:

Dmitri Shostacovich. Piano Corcerto nº2, II Andante. Piano: Denis Matsuev. The Orchestra of the Mariinsky Theatre.
Vivaldi Concerto in C major RV 443 (largo).

Canção da morte do século XXI

Charlotte Gainsbourg.

Charlotte Gainsbourg sai ao pai: surpreende. Melodias viscerais. A primeira canção, Le chat du Café des Artistes, parece um testamento fúnebre, com momentos de arrepiar. A segunda,  Heaven Can Wait, também se perde nas profundezas do outro mundo.

Charlotte Gainsbourg. Le chat du Café des Artistes. IRM. 2009.
Charlotte Gainsbourg. Heaven can wait. IRM. 2009.