Tag Archive | Jacques Callot

Corcundas

Primeiro os bailarinos, agora os corcundas. Jacques Callot gravou,  em 1620-1622, 20 estampas com corcundas (Les Gobbi) a jogar, a tocar e a fazer outras habilidades. Não é de estranhar esta escolha de Jacques Callot. Mais não seja, os corcundas, segundo o imaginário popular, dão sorte. Mas Callot desenha saltimbancos e desgraçados, tal como, alguns anos antes, Hieronymus Bosch e Pieter Brueghel desenharam e pintaram indigentes, aleijados e cegos. Estas figuras caracterizavam a vivência e a cultura da praça pública, bem retratadas por Mikhail Bakhtin a propósito da obra de François Rabelais.

 

 

Jacques Callot: Danças de Rua

Se tivesse nascido a 30 de Junho, Jacques Callot (Nancy, 1592-1635) completaria hoje 420 anos. Desenhista e gravador francês, Callot é um dos expoentes da arte grotesca. Na sua obra, destacam-se as seguintes séries: Les Caprices (1617), Les Balli (1620-1622); Les Gobbi (os corcundas; 1620-1622); Les Gueux (os mendigos; 1622); e Les Grandes Misères de Guerre (1633). Acrescente-se a gravura Les Tentations de Saint-Antoine, de 1634. Duas destas séries (Caprichos e As Grandes Misérias da Guerra) antecipam em mais de 150 anos as séries homónimas de Francisco Goya: Los Caprichos (1799) e Los Desastres de la Guerra (1810-1820).

Comecemos, festivamente, com uma galeria dos Balli di Sfessania. Estas 24 gravuras lembram a Commedia dell Arte. Contemplam, aliás, algumas das suas figuras mais famosas. Na realidade, retratam artistas de rua envolvidos numa “sfessania”, dança napolitana marcada pela exuberância corporal, pela violência grotesca e pela obscenidade gestual e simbólica, sempre em ambiente de praça pública, com as pessoas a entregar-se à música, à dança, ao jogo, à luta e ao namoro.

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